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Imagem Tácito Coutinho – Tatá

Esperança, paixão pelo possível

O reino futuro do Cristo ressuscitado deve ser esperado e aguardado. Essa esperança e expectativa devem modelar igualmente a vida histórica da sociedade. Por isso, missão significa não somente propagação da fé e da esperança, mas também transformação histórica da vida. A vida pessoal, e, portanto, também a vida social e pública, é exigida como sacrifício na obediência diária – Rm 12,1ss. Não se conformar com este mundo não só significa transformar-se em si mesmo, mas através da perseverança e da ação criativa transformar a imagem do mundo em meio ao qual se vive, se espera e se ama.

A esperança do evangelho tem uma relação de conflito e de libertação não só para com as ideologias dos seres humanos, mas, sobretudo, para com a vida real e prática dos seres humanos e as circunstancias em que se leva esta vida. É muito pouco dizer que o reino de Deus só tem que se ocupar da pessoa. A justiça e a paz do reino prometido não são conceitos relativos e se referem também as relações dos seres humanos entre si e para com o mundo; do contrario, a fé é mera ilusão.

A esperança cristã suscita na vida da sociedade humana a “questão do sentido”, porque não consegue viver em paz com as situações que devem ser transformadas, a esperança gera um “estado de inconformidade” que busca a mudança, e ainda critica esse ideal moderno de “ausência de tensões” como sendo nada mais do que uma nova forma do nada e da morte. Ela, a esperança, na realidade, está orientada para as relações verdadeiramente justas do reino de Deus que vem. Por isso, ela busca retirar-nos das tendências á acomodação e lançar-nos ao futuro que ela espera.

A esperança cristã questiona o que é existente e assim está á serviço do que há de vir. Supera o atual e o presente pela orientação para o novo esperado e procura ocasiões para fazer corresponder sempre mais a realidade presente ao futuro prometido.

O horizonte de esperança, no qual deve ser desenvolvida a doutrina cristã do comportamento, é o horizonte escatológico da esperança do reino de Deus, de sua justiça e de sua paz, da nova criação e de sua liberdade e sua humanidade para todos os seres humanos. Somente esse horizonte de esperanças deve modelar e transformar o presente, em meio ás dificuldades e ao sofrimento, na realidade inacabada. A esperança coloca-nos em conflito com a forma atual da sociedade e nos faz aceitar a “cruz do presente”. 
Na difícil experiência entre a palavra da promessa e a realidade do sofrimento e da morte, a fé se apoia na esperança e “se lança para fora deste mundo”. Isso não quer dizer que a fé cristã foge deste mundo, mas que busca o futuro. Crer significa, na realidade, transpor fronteiras, estar em êxodo, mas sem alienação: a morte é morte verdadeira e a dor é a dor. O pecado permanece pecado e o sofrimento, mesmo para a fé, continua sendo um clamor que espera uma resposta.

A fé transcende essas realidades, pois não se refugia no céu nem na utopia e, tampouco, sonha estar em outra realidade. Ela apenas pode transpor os limites da vida humana, apenas pela aceitação do Cristo ressuscitado. Onde, pela ressurreição do crucificado, foi rompida a barreira contra a qual se despedaçava a esperança humana, a fé pode e deve alargar-se em esperança cristã. Ela se torna “parresia” (ousadia) e paciência; “assim a esperança se torna paixão pelo possível” – Kierkegaard, porque pode agora ser paixão por aquilo que se tornou possível.