Dogmas da Igreja: Deus

Dogma é uma verdade revelada por Deus, e, como tal, diretamente proposta pela Igreja à nossa fé.

A Revelação, fonte do dogma, dá a conhecer o ensinamento divino em seu próprio conceito: tal é a primazia de Pedro e de seus discípulos e, como conseqüência, a infalibilidade pontifícia. Para que uma verdade revelada seja um dogma é necessário que este proponha diretamente à nossa fé por uma definição solene da Igreja o pelo ensinamento de seu magistério ordinário.

No Evangelho se sublinha várias vezes a natureza da fé. Está descrita como uma adesão ao ensinamento divino anunciado por Cristo ou pregada em seu nome e com sua autoridade pelos Apóstolos. No Evangelho de São Marcos encontramos:

“Depois lhes disse: ‘Ide pelo mundo e pregai a boa nova a toda criação. O que crer e for batizado se salvará; o que não crer, será condenado.’” (Mc 16,15-16).

“A fé é garantia do que se espera; a prova das realidades que não se vêem. Foi ela que valeu aos nossos ancestrais.” (Hb 11,1-2).

trindade

Do século I ao IV, esta doutrina se manifesta pela insistência com a qual os Santos Padres afirmaram a obrigação de crer integramente na doutrina ensinada por Jesus Cristo aos Apóstolos. Para que o ensinamento divino contido nas Sagradas Escrituras seja um dogma são necessárias duas condições:

1. O sentido deve estar suficientemente manifestado.

Esta doutrina deve ser proposta pela Igreja como revelada. Quando o texto das escrituras estiver definido pela Igreja como contendo um dogma revelado, com sentido preciso e determinado, é um dever estrito para os exegetas católicos aceitá-lo.

A revelação feita por Jesus Cristo e anunciada aos Apóstolos tem seu caráter definitivo e imutável e a doutrina de São Paulo mostra bem este caráter.

Dogmas sobre Deus

A Existência de Deus

Possibilidade de reconhecer a Deus como a única luz da razão natural – O concilio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1870), declarou:

“Se alguém disser que Deus vivo e verdadeiro, criador e Senhor nosso, não pode ser reconhecido com certeza pela luz natural da razão humana por meio das coisas que foram feitas, seja excomungado.” (Dz. 1806). “A mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser reconhecido com certeza pela luz natural da razão humana partindo das coisas criadas.” (cf. Dz. 1785).

O Concilio apresenta os seguintes elementos:

O objeto de nosso conhecimento é Deus uno e verdadeiro, Criador e Senhor nosso; é portanto um Deus distinto do mundo e pessoal.

1. O princípio subjetivo do reconhecimento é a razão natural em estado de natureza caída.

2. Os meios do reconhecimento são as coisas criadas.

3. Esse reconhecimento é de per si um reconhecimento certo.

4. E é possível, ainda que não constitua o único caminho para chegar a conhecer a Deus.

Provas da Escritura:

“Pela grandeza e formosura das criaturas, por racionalidade se chega a conhecer ao Criador delas” (Sab.13,1-9.15).

“Porque desde a criação do mundo, a invisibilidade de Deus, Seu eterno poder e Sua divindade são conhecidos através das criaturas, de modo que são inescusáveis.

(Rm 1,20).

A idéia de Deus não é inata em nós, mas temos a capacidade para conhece-Lo com facilidade, e de certo modo espontaneamente por meio de Sua obra.

A EXISTÊNCIA DE DEUS COMO OBJETO DE FÉ

A existência de Deus não apenas é objeto do conhecimento da razão natural, mas também é objeto da fé sobrenatural – Segundo o Concílio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1878), declarou em 24 de abril de 1870:

“A Santa Igreja Católica Apostólica e Romana, crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro” (Dz. 1782).

Este mesmo Concílio condenou como herética a negação da existência de Deus:

“Se alguém negar que apenas Deus é o Verdadeiro Criador e Senhor das coisas visíveis e invisíveis, seja excomungado” (Dz. 1801).

Provas da Escritura:

A fé na Escritura de Deus é condição indispensável para a salvação:

“Sem a fé é impossível agradar a Deus, pois é preciso que quem se acerque de Deus creia que Ele existe e que é remunerador dos que O buscam” (Hb 11,6)

A revelação sobrenatural da existência de Deus confirma o conhecimento natural de Deus, faz com que todos possam conhecer a existência de Deus com facilidade. Não existe contradição no sentido de que uma pessoa possa temer ao mesmo tempo a ciência e a fé da existência de Deus, já que, em ambos os casos, o objeto formal é diverso:

Evidência Natural X Revelação Divina

Ao primeiro chegamos pela razão natural e, ao segundo, pela razão ilimitada da fé.

A UNICIDADE DE DEUS

Não existe mais que um único Deus – O concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216) declarou:

“Firmemente cremos e simplesmente confessamos que Deus é apenas Um” (Dz. 428). “A santa Igreja Católica Apostólica romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro e Vivo” (Dz. 1782).

Provas das Escrituras:

“Ouve Israel, Iaveh é nosso Deus, apenas Iaveh” (Dt 6,4).”Sabemos que o ídolo não é nada no mundo e que não existe mais que um único Deus.” (1 Cor. 8,4).

v. tb. At 14,14; 17,23; Rm 3,39; Ef 4,6; 1Tim 1,17; 2,5.

Os Santos Padres provam a unicidade de Deus por Sua perfeição absoluta e pela unidade da ordem do mundo. Diz Tertuliano:

“O Ser Supremo e Excelentíssimo precisa ser único, e não pode haver igual a Ele, porque se não for assim, Ele não seria o Ser Supremo, e como Deus é o Ser Supremo, com razão diz nossa verdade Cristã: Se Deus não é o Único, não há nenhum Deus”

São Tomás [de Aquino] deduz especulativamente a unicidade de Deus devido à Sua simplicidade, da infinidade de Suas perdições e da unidade do universo (S.Th. I,11,3).

A história comparada das religiões nos ensina que a evolução religiosa da humanidade não passou do politeísmo ao monoteísmo, mas sim, ao contrário, ou seja, do monoteísmo ao politeísmo (cf. Rm 1,18). Se opõe a este dogma básico do Cristianismo o politeísmo dos pagãos e o dualismo agnóstico-maniqueista que supunha a existência de dois princípios não criados e eternos.

DEUS É ETERNO Deus não tem princípio nem fim – O Concílio IV de Latrão e o Concílio Vaticano atribuem a Deus a eternidade:

“Firmemente cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Verdadeiro Deus eterno…” (Dz. 428). “A Santa Igreja Católica, Apostólica Romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro, Vivo, Eterno, Imenso, Incompreensível, Infinito em Seu entendimento e vontade e em toda perfeição” (Dz. 1782).

O Dogma diz que Deus possui o Ser Divino sem princípio nem fim, sem sucessão alguma, em um agora permanente e indivisível.

Provas das Escrituras:

“Antes que os montes, a terra e o universo tivessem sido criados, Tu existíeis desde a eternidade até a eternidade” (Sl 89,2).

“Antes que Abraão nascesse, eras Tu” (Sl 2,7; Jo 8,58).

Especulativamente, a eternidade de Deus se demonstra por sua absoluta imutabilidade; a razão última da eternidade de Deus é a plenitude absoluta de um ser que exclui toda potencialidade e, portanto, toda sucessão (S.Th. I,10,2-3).

SANTÍSSIMA TRINDADE

Em Deus há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; e cada uma delas possui a essência divina que é numericamente a mesma – O Concílio de Latrão (1215), sob Inocêncio III (1198-1216) diz:

“Firmemente cremos e simplesmente confessamos que apenas um é o Deus Eterno, Verdadeiro, Imenso, Imutável, Incompreensível, Onipotente e Inefável; Pai, Filho e Espírito Santo; três pessoas certamente, mas uma só essência, substância ou natureza absolutamente simples. O Pai não vem de ninguém, O Filho apenas do Pai, e o Espírito Santo de Um e de Outro, sem começo, sempre, e sem fim” (Dz.428).

O dogma da Trindade é declarado por este Concílio, mas o Concílio de Florença (1438-1445), sob Eugênio IV (1431-1447), apresentou um compêndio desta doutrina que pode ser considerada como a meta final da evolução do dogma:

“Por razão desta unidade, o Pai está todo no Filho todo no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho. Nenhum precede ao outro em eternidade, ou o excede em grandeza, ou o sobrepuja em poder…” (Dz. 704).

Provas das Sagradas Escrituras:

No Antigo Testamento fica subentendida a alusão ao mistério da Trindade :”Façamos ao homem…” (Gn 1,26). “Disse-me Iaveh: Tu és Meu Filho hoje Te gerei” (Sl 2,7)

No Novo Testamento:

“O Espirito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra, e por isto, o Filho criado será Santo, será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35) – Espírito Santo, Altíssimo e Filho do Altíssimo.

“Viu o Espírito Santo de Deus descer como pomba e vir sobre Ele, enquanto uma voz do céu dizia: ‘este é Meu Filho Amado, em Quem tenho Minha complacência’” (Mt 3,16ss).

“Ide, pois, e ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).

Onde é revelado claramente o mistério da Trindade é em Mt 28,19. Assim como o homem pode por sua única razão descobrir a um Deus Uno, ao conhecimento de um Deus Trino não poderá chegar senão através da Divina Revelação.

Em Deus, a ação de entender, o mesmo que a de amar, se identificam com sua própria essência divina, pois seu entender e seu querer constituem um mesmo Ser. Por isso, nos dois procedimentos divinos, ou seja, que dá origem ao Filho por via de geração, e a que dá origem ao Espírito Santo por via de amor procedente do Pai e do Filho, não se dá sucessão alguma, nem por prioridade nem por posteridade… são eternas com a mesma eternidade de Deus.

O Pai, com efeito, vendo refletido em sua própria essência a Seu Verbo Divino, que é a Imagem perfeitíssima de Si mesmo, O ama com um amor sem limites. E o Verbo, que é a Luz do Pai, Seu Pensamento eterno, Sua Glória, Sua Formosura, o Esplendor de todas Suas perfeições infinitas, devolve a Seu Pai um amor semelhante, igualmente eterno e infinito. E ao encontrarem-se as correntes do amor que brota do Pai com aquela que vem do Filho, salta, por assim dizer, uma torrente de chamas que é o Espírito Santo, amor único, ainda que é mútuo, vivente e subsistente, abraço inefável, vínculo que completa ao Pai e ao Filho, na unidade do Espírito Santo (v. “Perfeição Cristã”, de Roeo Marin, p. 53).

POR COMUNIDADE CATÓLICA OÁSIS

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