Descobrir o Amor

Imagem  Tácito Coutinho – Tatá

Toda pessoa sente o desejo de amar e ser amada. Mas como é difícil amar! Quantos equívocos e desistências percebemos e padecemos! Alguns até duvidam que o amor seja possível. As carências afetivas e as desilusões sentimentais não podem nos levar a pensar que amar é uma utopia, um sonho irrealizável, confundindo, talvez, o amor com resignação. O amor é possível e precisamos descobri-lo.

A fonte do amor é Deus, única e verdadeira fonte: “Deus é amor” – 1Jo 4,8.16. Deus nos ama é verdade, mais ainda, o ser de Deus é amor. Esta é uma revelação fundamental, pois só assim podemos compreender o mistério da Trindade: em Deus, uno e trino, há um intercâmbio eterno de amor entre as pessoas do Pai e do Filho, e este amor não é um sentimento, mas uma pessoa, o Espírito Santo.

Em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecemos o amor em todo o seu alcance. De fato, “a verdadeira novidade do Novo Testamento não consiste em ideias novas, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos um realismo extraordinário” – Deus caritas est 12. A manifestação do amor divino é total e perfeita na Cruz: “a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores” – Rm 5,8. Assim podemos dizer: Cristo nos amou e se entregou por nós! – Ef 5,2.

A Redenção, realizada no sangue de Cristo, torna valiosa toda vida humana, pois somos amados pessoalmente por Ele com um amor apaixonado e fiel, um amor sem limites. O Crucificado, que depois da ressurreição tem em si, para sempre, os sinais da própria paixão, ressalta as “falsificações” e as mentiras sobre Deus, disfarçadas pela busca da felicidade sem responsabilidade e pelos relacionamentos “descartáveis”. Cristo é o Cordeiro de Deus, que assume os pecados do mundo e desenraiza o ódio do coração do homem. Esta é a verdadeira “revolução”: o amor.

A única forma de compreender a profundidade e a intensidade deste mistério é perceber a necessidade e a urgência de amar “como” Ele nos amou. Isto exige o compromisso de dar também, se for necessário, a própria vida pelo outro, aquele que está próximo de nós pela humanidade e pela pobreza. No Antigo Testamento Deus disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” – Lv 19, 18, mas a novidade de Cristo consiste no fato de que amar como Ele nos amou! E isto significa amar todos, sem distinções, também os inimigos, “até ao fim” – Jo 13,1.

Esta disposição para o amor, na prática, consiste em aplicar nossas capacidades, não só para nos tornar mais competitivos e conquistar os “melhores lugares”, ou produtivos economicamente. É preciso aplicar nossas capacidades, em primeiro lugar, no exercício da caridade. Amar a Deus amando o próximo! Agir no mundo inspirados pelo Evangelho e conduzidos pelo Espírito Santo. Inovar na caridade, perseverar nos compromissos e ser audacioso nas iniciativas para o bem comum, enfim, contribuir para a edificação da “civilização do amor”. “O horizonte do amor é verdadeiramente infinito: é o mundo inteiro”! – Bento XVI

O convite que Cristo, com sua vida, nos faz é “ousar o amor”, isto é, a não desejar nada para a nossa vida que seja inferior a um amor convicto, capaz de tornar toda a existência uma alegre realização da doação a Deus e aos irmãos: o amor venceu para sempre o ódio e a morte – Ap 5,13.

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